o que um parceiro técnico faz (e o que não faz)
a diferença entre comprar um projeto e ter um parceiro, e como saber qual dos dois você precisa.
A maioria das empresas compra software do mesmo jeito que compra um telhado: uma vez, de um empreiteiro, e depois torce pra dar certo. Pra telhado, funciona. Pra software, funciona mal, porque software tem dependência que vence, conta de hospedagem que muda de valor e uma superfície de ataque que cresce toda vez que alguém se cadastra numa ferramenta nova.
A alternativa é um parceiro técnico. O termo é usado de forma meio frouxa, então aqui vai o que a gente quer dizer com ele, e o que ele não é.
O modelo de projeto, e onde ele quebra
Você define um escopo, uma agência constrói, entrega, e a relação acaba. É um bom modelo quando o que você precisa tem começo, meio e fim. Um site de campanha. Uma integração pontual. Um rebranding.
Ele quebra de um jeito específico e previsível. Uns dezoito meses depois:
- uma dependência chega ao fim da vida útil e o site começa a mostrar avisos que ninguém sabe explicar
- o formulário de contato para de entregar, em silêncio, e você fica sabendo por um cliente que achou que você o ignorou
- o domínio renova num email de alguém que já saiu da empresa
- um cliente maior pede a sua política de segurança e ela não existe
- quem construiu já foi embora, e ninguém deixou escrito como nada daquilo funciona
Nenhum desses é problema de construção. São problemas de falta de dono, e o modelo de projeto não tem resposta pra eles porque o projeto acabou.
O que um parceiro mantém
Um parceiro técnico mantém quatro coisas o tempo todo, com ou sem projeto em andamento:
- Contexto: por que o sistema funciona do jeito que funciona, o que já foi tentado e descartado, quais partes são frágeis. É a parte cara de reconstruir, e você paga por ela de novo toda vez que troca de fornecedor.
- O perímetro: quem tem acesso a quê, quais contas existem, o que está exposto na internet e o que acontece quando alguém sai.
- O inventário: o que roda onde, quanto custa, o que está perto do fim da vida útil e o que aconteceria se qualquer uma dessas peças sumisse amanhã.
- A próxima decisão: a uma ou duas coisas que mais melhorariam a sua posição no próximo trimestre. É de propósito menor que um roadmap, e vai sendo atualizada conforme o negócio muda.
Onde ele para
Uma parceria tem uma capacidade combinada, não trabalho ilimitado por um valor fixo. Quem oferece ilimitado ou está limitando sem te contar, ou está planejando perder dinheiro e, logo depois, a sua paciência. O que separa isso de um projeto é que a capacidade é sua, pra apontar pro que importar neste mês.
Se o arranjo é abrir chamado num portal e esperar resposta, você comprou suporte terceirizado, que é outro produto, e mais barato.
Também existe um tamanho de empresa em que ter engenheiros na equipe ganha de lavada. Um parceiro bom te avisa quando você chegou lá. Um ruim continua cobrando e não fala nada.
Como saber qual dos dois você precisa
Conte quantas dessas frases são verdade pra você:
- Software sustenta a sua operação, não só a sua divulgação
- Não está no cargo de ninguém cuidar disso
- Você não conseguiria listar com segurança todos os sistemas que guardam dados de clientes
- Alguma coisa técnica te pegou de surpresa nos últimos seis meses
- Um cliente ou uma seguradora já te fez uma pergunta sobre segurança
Zero ou uma: comprar projetos funciona bem. Três ou mais: as surpresas vão continuar aparecendo, e evitar sai mais barato do que apagar incêndio.
A conta honesta
Um parceiro custa mais por mês do que nada, e nada é o que a maioria das empresas gasta com isso hoje. O que você ganha em troca é que as falhas lá de cima deixam de ser evento e viram manutenção: pegas cedo, e citadas numa nota mensal em vez de numa ligação em pânico.
É esse o argumento inteiro. Não é empolgante, e nem devia ser.
A gente trabalha assim na rebootworks: três frentes num contrato só, mês a mês, e tudo fica no seu nome. Se alguma coisa na lista acima soou familiar, conta pra gente qual.